Você não faz a mínima idéia do que fará no futuro? Está em dúvida entre cursar web design, entrar para a faculdade de direito ou ser professor de educação física? Muita calma nessa hora! Apesar do conflito, nem tudo está perdido. Se você gostaria de fazer muitas coisas diferentes de sua vida, mas, ao mesmo tempo, acha que não seria tão ruim não fazer nada, dado o tamanho de sua indecisão, tente se orientar pelo mercado.
Em outras palavras, analise para quais profissões ainda há espaço neste competitivo mercado no qual vivemos e, desta maneira, veja as suas chances de ascensão nas carreiras pretendidas. Vamos começar pelas vagas de estágio, por exemplo. Essencial para quem deseja entrar no mercado de trabalho, o estágio compreende uma época em que há reais chances de crescimento profissional.
O mercado para estagiários
Você sabia que em algumas áreas faltam estagiários, enquanto em outras sobram? Os dados são da Abres (Associação Brasileira de Estágios). Por exemplo, com o crescimento das empresas da construção civil, há uma verdadeira “briga” entre elas para conseguir um estagiário da área de Engenharia Civil. “Fica mais crônica a situação quando exigem pessoas com determinado perfil ou a vaga é para a área comercial”, explica o diretor da Abres, Carlos Henrique Mencaci.
O motivo é que os alunos preferem trabalhar próximos ao processo de construção. Para se ter uma idéia da falta de estagiários nesse setor, enquanto há no Brasil mais de meio milhão de estudantes de Direito, os alunos de engenharia somam apenas 247 mil, segundo informações apuradas pelo MEC (Ministério da Educação).
Carreiras que vivem apagão de talentos
Outro bom exemplo são os profissionais de Engenharia Eletrônica, que estão sendo mais requisitados com a expansão do mercado de computadores. Há ainda os Engenheiros Automobilísticos que, com as vendas recordes de carros, estão entre os estagiários que podem contar com mais vagas. Uma outra carreira vive a mesma realidade: Biblioteconomia. Desde o momento em que as empresas começaram a investir com mais intensidade no patrimônio intelectual e na documentação, há poucos profissionais para estagiar na área. Trata-se de um curso pouco procurado no Brasil.
Estatísticos também estão na mesma situação. O melhor de tudo isso é que, com a falta de estagiários, os salários começam a inflacionar. “Existem empresas que oferecem salários de R$ 3 mil para um estagiário”, diz o diretor-presidente do Nube (Núcleo Brasileiro de Estágios), Seme Arone Júnior. Entretanto, nas áreas com menos vagas e nas quais a concorrência é maior, os salários caem significativamente.
Mundo mutante
Bom, essas são as profissões em alta no momento, mas é importante ter em mente também quais são as carreiras que estarão em alta no futuro. Isso porque as necessidades da sociedade se transformam a cada dia, e as áreas de atuação que eram promissoras ontem não são mais hoje. As tendências são responsáveis pelo surgimento de profissões inusitadas e pela redescoberta de outras.
É possível tirar essas conclusões ao ler o livro “As profissões do futuro”, escrito pelo diretor da Cidade do Conhecimento da USP (Universidade de São Paulo), centro de estudos avançados de educação e trabalho, Gilson Schwartz. Para o autor, estamos entrando em um período de redefinição das profissões, que serão marcadas pela integração entre telecomunicações, tecnologia, mercado consumidor e conteúdo (por conteúdo, entende-se atualidades, gestão da informação e de relações sociais e tudo que diz respeito ao conhecimento).
A união dessas facetas ocorrerá em todas as áreas, como na gestão ambiental, na publicidade e na medicina. “A tecnologia é uma realidade que está mudando a forma de as empresas formarem suas equipes, ao mesmo tempo em que está gerando incertezas. Nem as faculdades estão preparadas para essa macrotransformação”, opinou Schwartz, que recomendou: “O ideal é que as pessoas procurem suas vocações dentro das profissões que são fomentadas pela tecnologia”.
Profissões do futuro
Veja quais são as carreiras do futuro: Engenharia de Produção; Administração, mas não somente de empresas, como também de órgãos públicos e empreendimentos do terceiro setor; e tudo que diz respeito a serviços pessoais e qualidade de vida.
Estamos falando de profissões como personal trainer, gestor de ecoturismo, prestador de serviços sociais, médicos (principalmente os que atuarem em segmentos recentes da medicina), engenheiro ambiental, engenheiro elétrico e engenheiro químico, que tenham especialidade em energia renovável. “Tudo que diz respeito à qualidade de vida das pessoas passará a ter mais valor. Há 15 anos, ninguém previa o crescimento do terceiro setor ou o advento da televisão digital no Brasil. E quem diria que tudo referente ao turismo teria uma forte ligação com a ecologia?”, finaliza Schwartz.
Cursos profissionalizantes
Haja fôlego para acompanhar as mudanças do mundo contemporâneo! Com tantas transformações, não é difícil entender por que os cursos profissionalizantes se tornaram verdadeiros atalhos ao mercado de trabalho. A razão principal é que, no Brasil, faltam profissionais qualificados em muitas áreas, o que significa que existem vagas, mas não há profissionais com conhecimento suficiente para ocupá-las.
Segundo uma pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), apenas 18,3% das pessoas que procuram emprego têm qualificação necessária para ocupar o posto. Os dados revelam que existem 1,7 milhão de profissionais qualificados em um universo de 9 milhões de desempregados. Para quem não tem tempo a perder, um curso profissionalizante pode ser uma solução. “Não só por conta do custo acessível, mas também porque os cursos oferecem um aprendizado focado em determinadas habilidades e competências. É uma alternativa para o profissional que deseja disputar uma vaga no mercado de trabalho. Trata-se, no fim das contas, do tal do conhecimento aplicável”, explica o presidente do CEBRAC (Centro Brasileiro de Cursos), Wilson Roberto Giustino.
Os cursos mais procurados
Giustino explica que os cursos profissionalizantes mais procurados são os da área tecnológica (Web Design, Computação Gráfica, Programação e Design Gráfico), da área pessoal (relações interpessoais, formação de equipes, formação de líderes, técnicas de negociação, atendimento ao cliente, comunicação e expressão, criatividade em vendas) e da área administrativa (conceitos administrativos, contabilidade, estoque e compras, faturamento e financeiro, departamento pessoal). Os mais visados mesmo são aqueles ligados à área administrativa, mas o presidente do CEBRAC lembra que os cursos que auxiliam o profissional em todas as fases da carreira, desde a entrevista até sua ascensão em uma empresa, têm crescido de forma contínua, porque os jovens perceberam que não adianta ter somente o conhecimento técnico. “É preciso ter ética profissional”.
